Bem-Vindo!!!

Todos os fatos aqui postados ocorreram da maneira como estão narrados.
Tirando uma mentira ou outra é claro!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

CANSADO ATÉ A ALMA!


Puta merda, enfrentar uma pedalada é bom, mas tem de ter uma recompensa no final.  Um banho, um barzinho, qualquer coisa... Mas nadica de nada?
Depois de uma cancela avistamos uma casa, com um carro na frente e umas redes armadas no terraço.
- Vamos pedir um café...
Nos achegamos meio ressabiados.  Um cachorro que estava passando a chuva em baixo de uma carroça avisou nossa presença.  Saiu um rapaz lá de dentro que muito educado nos trouxe um café feito na hora.
A dona da casa apareceu e aproveitando de sua boa vontade pedi uma sacola pra enrolar o celular, Deividson aproveitou e pediu uma também pra digital dele.
Agradecemos e nos despedimos.  E tome Pedal...
Meio aflito vi que só curvavam pra direita.  Desse jeito nós íamos sair em Marcelino Vieira.  Ou pior teríamos que curvar tudo a esquerda de novo pra chegar na estrada do perímetro.
Pois foi o que aconteceu.
Chegamos num local e Flávio disse: 
- Aqui é o retiro!
- Homi vá pra merda!  A gente morre de pedalar pra ver nada?!?!?!
Mas num teve jeito.  Era só aquilo mesmo. Tomamos água e começamos a volta.
E tome chuva, e tome lama.  E tome alto, e tome poça dágua.
Só que dessa vez as curvas eram pra esquerda.
Me lembrei muito de Papai, quando viajávamos nas estradas de barro dessa região.  Quando o cansaço apertava ele dava um alento:
- Já, Já a gente chega na Central!
Pois é, eu já tava com palmo de língua de fora e a Central não chegava.
Lá na frente se delineou um alto grande, e lá na frente um maior ainda.
- Minha Nossa Senhora, o primeiro eu subo, o segundo eu não garanto.
A chuva parou, reduzi as marchas e subimos o primeiro.
Apois não é que o segundo era a danada da Central?!?!
Subimos na BR, já avistando o asfalto que teimam em não concluir.  Eita Brasil que adora desperdiçar dinheiro....
Daqui pro Perímetro é relativamente perto, pensei, e dali pra PDF era um pulo.
Mas pra quem já vem cansado toda distância é longe.
Pedalamos um pouco e chegamos em frente ao parque de vaquejada de Paulo de Jaime.  Lá tem um barzinho que tava fechado. 
Flávio foi acordar o dono, que abriu e nos trouxe uma Coca-cola com um pacote de bolacha.
Beleza.  Naquela altura era um manjar dos deuses.
Bebemos e comemos, nos despedimos e pegamos o rumo de casa.
No caminho, diversos conhecidos diminuíam a marcha pra nos cumprimentar.  Viemos devagarzinho, mas chegamos.
Tava arrebentado por uma noite mal dormida e por uma pedalada de quase 60km por trilhas de lama.
Exausto é pouco pra definir o cansaço que tava sentindo.
Larguei a bike no terraço mesmo, corri pro banheiro, tomei um banho, comi um sanduíche, coloquei um pijama e passei ordem:
- Ninguém me acorde, nem pra almoçar.
Me deitei, puxei os lençóis e o corpo foi relaxando.  Acho que o melhor da pedalada é o descanso depois.  Não tem coisa melhor.
O celular, que graças a Deus funcionou de novo toca.  Caí na besteira de atender.
- Nelsinho, é Cecília aqui do Hospital...
- Diga Cecília!?!?!?
- Venha aqui rápido e traga um eletricista que faltou energia no setor da Pediatria...





terça-feira, 24 de janeiro de 2012

TÔ FERRADO!

Ontem teve cirurgia.
Ninguém quer admitir, mas num Hospital o pessoal do bloco cirúrgico é uma classe à parte.
Quando tem cirurgia eles escolhem o cardápio.
Ontem à noite foi lazanha. Muito da bem feita.
Lá pelas 19:00 chegou Toinha da sala da direção com um prato de lazanha e um copo de Coca-cola, que tinha roubado do centro cirúrgico.
Botei pra dentro do buxo, terminei um serviço que estava fazendo e fui pra casa.
Era pra estar só, já que minha linda e querida esposa está de férias em Tibau. Mas Matheus e Guilherme estão passando a semana comigo.
Chegando eu em casa já foram perguntando:
- Vamos jantar o quê?
- Vcs eu não sei não. Eu já jantei no hospital.
- Mas peguem o carro e vão comer qualquer coisa por aí...
Guilherme baixou a cabeça e já foi informando:
- Eu não to com fome, já comi o resto de bolo que tinha na cozinha...
- Eu também não tô querendo comer nada não, respondeu Matheus.
Pois os felá da puta não tavam com preguiça de irem comer? Por certo queriam que eu fosse comprar e dar na boquinha, como a mãe deles faz.
- Homi criem vergonha, vão comprar ao menos um pastel aí na pastelaria de frente.  É só atravessar a rua.
Guilherme de cara feia já foi dizendo:
- Eu vou encomendar, mas não espero.  Matheus depois vai buscar.
Muito chateados combinaram e assim fizeram.
Dali à meia hora tavam agarrados na mesa comendo pastel e bebendo coca-cola. Vendo a cena não me contive:
- E se vcs tivessem de plantar, limpar, aguar, colher, desbulhar e cozinhar?
- Morria de fome respondeu Guila sem titubear.
Me recordei de uma história que papai me contou:

O CÚMULO DA PREGUIÇA!

Zé de Maria Quitéria perdeu o pai ainda jovem.
Preguiçoso como ele só, ficou sendo sustentado pela mãe que lavava roupas “pra fora”.
Com a morte precoce da mãe, ficou Zé, já com 23 anos e sem ter quem lhe sustentar.
Naquele tempo, em meados do século 19, não existia bolsa preguiça nem vereador ou prefeito pra sustentar vagabundo.
Ou trabalhava ou morria de fome.
Quiçá no pequeno povoado do Lima, onde Zé já era conhecido por sua indisposição.
Os habitantes de lá, que há tempos queriam lhe dar uma lição, combinaram o seguinte:
Ninguém daria de comer ao Zé.
Zé comeu o que tinha em casa, e ficou perambulando pelas cozinhas do povoado, sem sucesso.  Mas trabalhar que era bom nem pensar.
Ofertas não faltavam:  Era um algodão pra apanhar era um milho pra colher, era uma roça pra limpar, era um campo pra destocar, um feijão pra desbulhar,  um arroz pra pilar, e muitos outros afazeres que desfiados tomariam um dia inteiro.
Mas Zé não queria conversa ou era dado, já cozinhado, ou preferia passar fome.
E assim foi.
Com 3 dias de fome, Zé cansou de pedir, foi pra casa, deitou-se numa rede, e se aquietou.
O pessoal ficou inquieto.  Foram tudo pra casa de Zé.
- Zé vamo na roça apanhar um cozinhado de feijão...
- Vou não.
- Pois vamo arrancar umas batatas na vazante..
- Tombém não.
Fizeram uma roda por lá mesmo e resolveram apelar.
- Zé é o seguinte, não vamo deixar tu sofrendo.  Se é pra morrer de fraqueza nóis vamo logo enterrar vc.
E como era feito o funeral antigamente, meteram uma vara grande nos punhos da rede de Zé.
Dois pegaram na frente e dois atrás, e seguiram o cortejo pela viela do povoado, no rumo do cemitério.  E Zé tranqüilo só se balançando parecia que nem era com ele.
Passando na frente da casa do Coronel Quirino, este acabara de voltar de uma viagem e não sabia do combinado:
- Espere, quem foi que morreu foi Dona Raimunda?
- Não Coronel. É Zé, que tava morrendo de fome e resolvemos fazer essa caridade e enterrar logo.
O coronel se compadeceu daquela situação:
- Faça isso não.  É um rapaz novo ainda, esperem que eu vou dar três cuias de arroz pra ver se ele se alevanta de novo.
Nisso Zé levanta a cabeça pra fora da rede e tasca a pergunta:
- Já ta pilado?
- Ta não responde o Coronel.
Zé bota a cabeça pra dentro da rede e tasca:
- Pois toque o enterro pra frente!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A TRISTE MORTE DOS ANUNS

Já contei da viagem de Papai à S. Paulo pra comprar cavalos.
Bom, quando chegava uma nova carrada de cavalos era uma festa.
Éramos 4 vaqueiros: Eu, Zé de Ana, Augusto, e Niltomar.
No desembarque já íamos escolhendo aqueles pra montar, e dentro de poucos dias já tinha cavalo novo correndo atrás de boi.
Cabra novo, por volta dos 17 anos, notei que alguns cavalos estavam caindo os cabelos da crina e do rabo.  Papai também notou e perguntou a Alfredo.
Alfredo era o tratador dos animais.  Nêgo magro e espigado, inteligente e piadista como ele só.
- Alfredo, o que é isso nesses cavalos?
- Dr. eu vejo os anuns fazendo festa em cima dos cavalos.  Acho que tão arrancando os cabelo dos bichos pra fazer nin.
No outro dia na hora do almoço chega papai.
Trazia uma espingarda 36, duas caixas de cartucho, 04 frascos de pólvora e uns 03 kg de chumbo.
Terminado o almoço, carregou um cartucho pra mostrar como se faz, me botou pra carregar mais uma meia dúzia e mandou as ordens.
- Carregue estas duas caixas de cartucho, arrume um bornó e vá matar esses anum que tão aperreando os cavalos.
Hoje os meninos se divertem jogando vídeo-game.  Eu me divertia atirando.  Com 06 anos de idade já cortava palito de fósforo com minha espingarda de chumbo.
Então essa tarefa, tirando o enchimento dos cartuchos, era-me por demais prazerosa.
No outro dia pela manhã começou o tiroteio.
PÊI  morreu um. PÊI lá vai outro.
E por assim foi durante mais de uma semana.
Os primeiros foram fáceis, mas os últimos já estavam escabreados, precisava chegar muito de mansinho e escondido.
Ao cabo de 10 dias não tinha mais anum num raio de duas léguas.
Serviço feito! E bem feito.  Como pagamento ganhei a espingarda.  Beleza!
Umas duas semanas depois veio um inspetor da ABQM registrar uns potros que tinham nascido.  O nome do dito cujo era Cassiano.  Gente boa e um vaqueiro de mão cheia.
Terminando o serviço de inspeção dos animais nos reunimos no terraço lá de casa pra tomar um café e jogar conversa fora enquanto o almoço não saía.
Cassiano deu uma mirada ao redor do muro e disse:
- O senhor tem um partido bom de leucena por aqui.
- Pois é, respondeu papai.  De vez em quando corto um bocado e jogo do outro lado do muro, os cavalos adoram comer, raspam até os galhos.
- Só tem um problema Dr. Nelson, ela é meio tóxica, se os cavalos comerem demais caem os cabelos da crina e da cauda.
Eu olhei pra papai e ele olhou pra mim.
Caímos na gargalhada.
É por isso que pena de morte é meio complicada.  
Os pobres dos neguinhos eram inocentes....

Não fique triste.  Esse nem canta nem tem carne

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A GREVE E A FÚRIA DE UM HOMEM TRAÍDO

Greve é muito cômodo.
A maioria dos profesores ficam em casa coçando o saco e assistindo televisão.
Final de mês o salário tá garantido.
Os alunos que se fodam.
Fui aluno da Federal da Paraíba e só eu sei como meu curso foi prejudicado pelas greves.
Greve, férias forçadas, volta às aulas, enrolação, trabalhos em grupo e mais enrolação pra fechar o semestre.
Aprendizado que é bom, nada!
O IFRN está de greve.
Meu filho Matheus tá de molho em casa.  Dorme até meio dia.
Hoje cansou de fazer nada e resolveu vir trabalhar comigo.
Fui lá no “Espaço Reduzido” devolver uma folha de compensado.
Na volta passei por “Joaquim” cujo nome verdadeiro vou preservar.
- Matheus, tá vendo aquele senhor ali?
- Tô! O que é que tem?
Há uns 10 anos atrás tava no meu escritório e chegou Seu Joaquim.  Depois dos cumprimentos de praxe e de uma conversa sobre fazenda e gado, Seu Joaquim me confidenciou o motivo de sua presença:
- Dr. Quero lhe contratar...
- Pois não Seu Joaquim.  É problema de terra?
- É não.  É que eu vou matar uma pessoa e já vim conversar com o senhor, pro senhor me defender.
Fiquei meio que espantado.  Aquela era inusitada.  Geralmente se contrata advogado depois que a merda foi feita.  Antes era a primeira vez.
- Mas me conte o caso Seu Joaquim.  Se for escabroso eu vou lhe ajudar pelo menos dirigindo o carro.
- Dr. é que eu me ajuntei com uma fulana nova, e a danada ta me passando chifre.  Isso eu não agüento e vou matar ela de faca pra aprender a respeitar um homi.
- Eita.  Isso aí não dá certo não.  Chifre não é mais motivo de matar.
- Os tempos são outros Seu Joaquim.  Ninguém se livra mais da cadeia por um crime desses.
- Mas a vergonha é grande Doutor.  Ou eu mato, ou não posso andar na rua.
- E vc acha que passar cinco ou seis anos na cadeia é fácil Seu Joaquim?  - Ainda mais na sua idade?
E fui conversando e notei que estava convencendo a fera...
- Mas Dr. em branco não pode ficar.  Eu posso dar uma pisa?
- Pode?
- E cortar o cabelo dela de faca?
- Pode!
- E cortar uma das orêia?
- Pode não.
Conversamos mais um pedaço e Seu Joaquim saiu. No outro dia soube a notícia.
Foi uma pisa das maiores que já houve por essas bandas.  A mulher passou bem 3 dias no Hospital com o cabelo todo pinicado, cortado de faca.
E seu Joaquim ficou satisfeito.
Satisfeito de tudo não ficou não, mas achou que tinha ficado de bom tamanho.

LEIA E VEJA SE VC SE IDENTIFICA COM ALGUM DESTES

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

VOCÊ SABE O QUE É MIÍASE?

Se não sabe, coloque o Google pra procurar imagens e digite miíase.
Uma imagem vale mais que 1.000 palavras.
Em Fazenda sempre fiz de tudo, castração, descorna, aplicação de medicamentos, drenar abscessos, etc.
Mas quando Papai foi me ensinar a curar uma bicheira não enfrentei.  Comecei mas terminei vomitando e não quis mais encarar a danada
Bicheira ou miíase, surge quando um ferimento não é tratado e a mosca varejeira pôe os ovos dentro.
Os ovos eclodem e as larvas se alimentam da carne do animal, formando uma espécie de caverna na pele.
Às vezes o buraco na pele é pequeno, mas o interior abriga dezenas de “tapurus”.
Na verdade a miíase tem uma vantagem.  O ferimento não infecciona.
Devido os tapurus se alimentarem da carne,  comem a carne necrosada primeiro, limpando o ferimento.
Relatos dão conta que na Primeira Guerra Mundial, o socorro a um soldado ferido podia demorar dias e quando a ferida ameaçava contaminar, os paramédicos infestavam a mesma com larvas, para evitar a contaminação.
É uma ferida antes de tudo fedorenta e nojenta. 
Vou ensinar a tratá-la caso seu animal apareça com a mesma.
Raspe os pêlos do local, lave com água e sabão, aplique um mata-bicheira que se encontra na farmácia veterinária.  As larvas vão começar a se agitar.  Peque um cotonete ou um pauzinho e comece a retirá-las, e de vez em quando aplique o mata bicheira novamente, e vá tirando os tapurus até o último.
Se nesse ponto vc ainda tiver condições de continuar, e não tiver colocando as tripas pra fora, encha o ferimento com ungüento e aplique um vermífugo à base de ivermectina.
Pronto a bicheira vai se curar com certeza.
Contei isto tudo pra vocês só pra dizer que nos últimos 30 dias apareceram duas crianças aqui no hospital com miíase na cabeça.
Imagine os cuidados que estas crianças estão tendo em casa.....


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

QUAL O DVD MAIS ESPERADO DO ANO?

Vc que respondeu o de Anízio Júnior se enganou.
Tá todo mundo ligado procurando o DVD da academia....
Mas não vamos acusar o rapaz.
De repente ele tava produzindo um Big Brother pauferrense.