Bem-Vindo!!!

Todos os fatos aqui postados ocorreram da maneira como estão narrados.
Tirando uma mentira ou outra é claro!

terça-feira, 26 de abril de 2011

PÉROLAS AOS BACURINHOS

Talvez a finalidade deste blog tenha sido mais me comunicar com meus filhos, já que estes só demonstram interesse pelo mundo digital.
Mas parece que nem isto funciona, pois só Vinicius ainda parece lê-lo.
Mas mesmo assim à partir de hoje vou ensiná-los, por aqui, à respeito da vida.
Serão pérolas preciosas que partilharei com vocês.
Talvez tão importante pra vós que me escutam, quanto foi pra Pedro ouvir Jesus lhe ditando o novo Testamento, ou pra Moisés quando recebeu as tabacas com os 10 mandamentos.
Mas pra meus rebentos serão pérolas jogadas aos porcos.  
Não.  Serão pérolas jogadas pra meus bacurinhos.


LIÇÃO 1



“Não lançar pérolas aos porcos é não oferecer os tesouros do ser a quem come apenas lama e babugem, e pisará em nossos tesouros do coração por não ver valor algum em pérolas da alma, assim como é também não oferecer nossos bens do coração aos que apenas pisarão sobre tal riqueza interior”.

As pérolas são as verdades de Deus em nós, as mais íntimas e preciosas, que só devem ser compartilhadas com quem lhes dá valor.
O insensato é que abre seu coração e expõe todo o seu interior àqueles que têm no coração a fome e o apetite dos porcos - por lama - e têm ojeriza aos bens do ser.
Veja com quem você abre seu coração!
Veja com quem você divide sua intimidade humana e espiritual!
Veja a quem você serve as preciosidades de seu ser!
Não basta que a pessoa seja “cristã” ou de “igreja”. Isso não significa nada. Amigos de alma e de tesouros são raros, e só se os conhece com o tempo, em meio à fidelidade na dor e nas dificuldades da existência.
Toda hora vejo alguém servindo suas preciosidades de alma a quem não tem uma alma. O resultado é previsto por Jesus: eles pisam nas pérolas e depois devoram aqueles que as serviram.
Seu tesouro está em seu coração. Seja cuidadoso na entrega de sua intimidade. Procure antes comer muito sal com a pessoa. Não se exponha a quem não dá valor à alma.
Muita dor acontece em razão do romantismo de se pensar que basta a nossa sinceridade. Não! Não basta. Do outro lado tem de haver gente. E gente boa de Deus. Do contrário, o que se faz é apenas entregar nossa intimidade a quem se utilizará dela para nos destruir.
Infelizmente o mundo (e nele se inclua a religião) está cheio de suínos existenciais, os quais se alimentam de homens e abominam os tesouros da alma.
Jesus mesmo disse que tinha ainda muita coisa a dizer, mas que os discípulos ainda não estavam preparados para ouvir. Ora, eles não eram suínos existenciais, porém ainda estavam longe de poder entender e apreciar a beleza de muitas coisas.
Para Jesus o não lançar nossas pérolas aos porcos era equivalente a não abrir os tesouros do reino com aqueles que só buscavam pretexto para a matança.
Ora, esse mandamento de Jesus é o que nos protege daqueles que se oferecem como amigos, namorados, companheiros e irmãos, mas que não têm espírito de amor e de cuidado com a alma do próximo.
Ao contrário, para tais pessoas esses segredos das verdades mais íntimas do coração são apenas alças para que nelas se agarrem a fim de nos comerem vivos.
Portanto, veja a quem você está dando os seus tesouros de intimidade, verdade e preciosidades de Deus em sua vida.
Não namore ou se case com o suíno com esperança de ser bem tratado(a). Não fique amigo de suínos existenciais, pois além de não enxergarem você, eles ainda vão pisar em sua vida e devorá-la.
Você jogaria suas pérolas aos porcos, na lama?
Ora, se você não faria isso com jóias materiais, por que você faz isso com os tesouros imateriais?
Pense nisso e organize seus vínculos e amizades!
Nele, em quem o amor é realista.

Caio Fabio

segunda-feira, 25 de abril de 2011

OS 3 MATUTOS

Papai gostava muito de vaquejada.

Naquele tempo, por volta de 1970, não era o esporte glamouroso de hoje.
E sim uma brincadeira de fazendeiros e vaqueiros.
Um médico praticando aquele esporte, era pois, uma novidade.
Me entendi de gente vendo ele correr no “Cavalo Pedrês”.
Devido à sua cor, nunca cuidaram em batizá-lo, ficando como Pedrês mesmo.
O Pedrês foi ficando velho, e começou a aparecer uns gânglios no pé do pescoço e a inchar as juntas.
Tinha de se aposentar.
Mas cadê o cavalo pra substituí-lo?
A busca começou e terminou comprando um puro sangue inglês, bruto que só a molesta, que lhe deu uma queda e ainda pisou no seu tórax lhe fraturando 3 costelas.
Não tinha encontrado o cavalo ainda.
Por volta do ano de 1976, mais ou menos, correu uma história pela região, que tinha uma “semente” de uma raça americana, chamada Quarto de Milha, em Vitória de Santo Antão-PE.
Reuniram-se Papai, Chico Cajá e Seu Aluízio Diógenes e marcaram um final de semana pra visitarem a cidade pernambucana e comprarem, cada um, um cavalo de raça.
Entraram no fusca de Seu Aluízio e partiram na delicada missão.
Chegando ao destino, viram que o criatório se resumia a um cavalo preto chamado Dragão, que o dono não vendia por dinheiro nenhum.
Mas o dono do Dragão informou que em Minas Gerais havia um criatório e que provavelmente teriam potros para se vender.
Naquele tempo nem internet, nem celular, muito menos telefone fixo em fazenda havia.  Então o jeito era a visita pessoal.  Como já tavam em Pernambuco se mandaram pra Minas.  Cada qual com uma sacola de dinheiro de um lado pra comprar os cavalos, e um 38 do outro pra espantar quem quisesse tomar a grana.
Chegando em Minas, visita vai e visita vem e nada de cavalos.
Papai já vendo que a viagem não ia dar em nada compra uma carrada de novilhas pra salvar do prejuízo.
Mas recebem uma informação quente.  Em São Paulo, mas precisamente na cidade de Presidente Prudente iriam encontrar os cavalos que precisavam.
Entraram no fusca e se mandaram pra São Paulo.
Sei que foram a sensação na cidade.  3 matutos do sertão do RN, num fusca, atrás de comprar cavalos.
Mas garimpando fizeram contato com um fazendeiro de lá, Cel. Chico que tinha importado alguns cavalos dos EUA e estava disposto a se desfazer de uns potros para disseminar a raça em outras regiões.
Seu Aluízio comprou um potro puro, preto, que infelizmente nunca “deu pra nada”; Chico Cajá comprou um cavalo meio sangue que tinha uma orelha murcha, que também não foi muito bem nas vaquejadas; e papai comprou 3, dentre estes, Colt e Debate, que fizeram história em suas épocas, como Campeões, incentivando-o a retornar diversas outras vezes pra comprar outros, tendo trazido e vendido mais de 300 animais, disseminando a raça em todo o Nordeste, cumprindo assim o desejo visionário de Cel. Chico, em espalhar uma raça americana em outro continente.
Essa quantidade de Cavalos da Raça Quarto de Milha que se vê hoje predominando nas vaquejadas, partiu de 3 matutos que saíram de fusca pelo Brasil atrás do que seria o cavalo ideal para o esporte que gostavam.


Conheça melhor o Quarto de Milha 

domingo, 24 de abril de 2011

O TEMPO QUE OS HOMENS ERAM OUTROS

Seu Aluízio não era um homem comum.
Nascido Aluízio Diógenes Pessoa, pouco estudou, mas inteligente como poucos, logo formou um patrimônio de botar inveja em muito doutor.
Muito sério e com vozeirão forte, quando ia dar sua opinião era desse jeito:
- Eu sou analfabeto, mas acho que deveria ser assim...
E pronto!  Sua opinião, mesmo de “analfabeto” daí por diante era Lei.
Papai era outro homem do mesmo quilate, mas não ia contra as opiniões de seu Aluízio.  No máximo e com muito jeito conseguia que ele mudasse a opinião.
Pois bem. 
Malandro sempre existiu no mundo.  Na década de 70 não seria diferente.
Seu Aluízio encontrava-se à tardinha balançando-se em uma cadeira no terraço de sua residência na Fazenda Recreio.  Olhava suas vacas pastando e decerto pensava como a vida tinha lhe sido generosa.
Eis que pára na porta uma visita.
O homi era bruto, mas muito cortês, logo manda “se apear” e grita pra dentro de casa:
- LICA, traz uma água fria e um café quente!
O malandro se ajeita na confortável cadeira de fitilho, e começa a dizer a razão de sua visita:
- Seu Aluízio, vim lhe trazer um prêmio.
- O Sr. ganhou uma coleção de livros.
Seu Aluízio, logo percebe o rumo da prosa, e retruca já de cara feia:
- Ganhei não, eu sou analfabeto, não sei ler, como é que eu ganho livro se nem de rifa eu gosto?
- Ganhou seu Aluízio ta aqui no papel seu nome e endereço.  Tudo certinho os livros são do senhor.
- Ganhei não seu menino. E mesmo que tivesse ganho eu num queria.  Tenho precisão desses troços não!
O vendedor muito calmo retrucou:
- Seu Aluízio, o Senhor é um homem educado e compreensivo, eu não posso voltar com os livros que meu patrão não vai aceitar.  Vai me mandar vir de novo.  Nossa empresa é séria e tem que entregar o material sorteado.
Nessa hora nem preciso dizer que o vendedor já corria risco de vida, mas mesmo assim seu Aluízio deu outra chance.
- LICA! Leve esses livros pra dentro!
Dona Lica pegou os livros e já foi carregando o 44 papoamarelo que ficava por trás da porta.
O vendedor satisfeito, puxa uma ficha da bolsa e já vai informando:
- Agora seu Aluízio, tem uma taxa de entrega que como vem de longe, de Recife não é muito baratinha...
Ora, a tal taxa de entrega era o valor dos livros, ou mais.
- Tem não seu menino, você disse que era presente, eu não queria nem receber, mas já botei pra dentro e agora não tem quem faça eu devolver.
- E pra encurtar a história acho melhor o senhor não esperar nem o café.  Pode ir se alevantando e pegando seu rumo.
Não preciso dizer que o vendedor não esperou nem pra ver o “44 papoamarelo” do homi.  Chispou e nunca mais voltou.


Esses eram realmente chatos


Pra quem não conhece o 44, é esse aqui!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O ESCRITOR E O DOIDO

Tive a honra de realizar uma audiência esta semana com o grande mestre François Silvestre.  Advogado e escritor de renome, nos brindou com um dia inteiro de audiências por esta Comarca.  E à presidi-las estava a Dra. Ana, criatura “educada do berço”, como diz o matuto, além de muito bonita.
Pois bem, nem precisa dizer que as audiências foram uma benção.
Lá pelas tantas, já no final, Dr. François solta uma historinha de Dr. Cleodon.  Meia sem graça.  A Dra. ri pra não ser maleducada com o visitante ilustre, e eu emendo outra:

- No tempo de Dr. Cleodon, era comum os pais muito severos, trazerem filhas pra fazer o “teste de virgindade”.  Bastava um comentário ou uma desconfiança por menor que fosse.
Seu Raimundo da Baixa Grande, desconfiou que sua filha Zefinha havia chegado nos finalmentes, com Manoel seu namorado.  Apesar da mesma negar veementemente, trouxe-a pra Dr. Cleodon fazer o dito exame.
Chegando na Casa de Saúde, encontrou um Dr. Cleodon puto da vida por algum problema não declinado, que se negou a fazer o teste.
O pai indignado lhe exigiu que o fizesse, pois se negativo o casório iria sair ainda aquela semana.
O Dr., constrangido entrou na sala, saindo com menos de 1 minuto.  Seu Raimundo, afobado, logo lhe pergunta:
- E aí Dr.?
- Tem rastro de pica por todo canto! Respondeu.

Dr. François olhou pra mim incrédulo e deve ter pensado:
- Esse é doido, vai sair preso.
Dra. Ana fez um ar de surpresa e soltou uma gargalhada bem espontânea.
Bom, preso eu não fui, mas tenho certeza que minha média com o Dr.  François ficou bem miudinha. 

Esse é o Dr. François Silvestre. Conheça-o em vídeo:http://www.youtube.com/watch?v=nzY5EoLSkRo


E pra não me chamarem de mentiroso taí também a foto de Dra. Ana Orgette

quinta-feira, 21 de abril de 2011

POUSO FORÇADO - 1


Pois bem, vamos voltar à uma outra história que prometi terminar de contar:
No sábado, terminamos de preparar a aeronave, abastecemos e deixamos preparada pra viagem.  No outro dia Brejo das Freiras era o destino.
Convenci minha esposa de que iríamos de carro (Tinha prometido que não mais voaria), e graças a Deus ela não demonstrou nenhum interesse em ir também.
De madrugada Élder passou lá por casa e rumamos para o aeroporto.
Manhã perfeita pra voar.  Aeronave checada, plano de vôo pregado na perna, caneta na mão, cheque de cabeceira, potencia máxima e decolamos.
Élder no comando, e eu atrás só curtindo a viagem e conferindo o plano.
Aeronave aproada no rumo de Brejo, fomos ganhando altitude rapidamente.
Passamos por Marcelino Vieira com o tempo estimado “em cima dos pregos”, adverti Élder, que estávamos “escorregando” pra esquerda, mas ele no comando disse que a proa era aquela mesmo.
Eis que de repente o rádio dá sinal de vida.  Era Jonas que estava voltando do encontro mais cedo.
Combinou com Élder a altitude de ambos, e 6 minutos depois cruzamos com seu Vimana que passou veloz como uma bala.  Cena bonita de se ver.
Nessa altura, o plano de vôo já tinha ido pras cucuias. Nada batia.  Nem distancia nem tempo, e Élder reconheceu que estava perdido.
Eu com um pouco mais de experiência apontei pra um rumo mais a direita, e fomos procurando identificar as cidades próximas.
Conseguimos primeiro identificar Uiraúna, e com um pouco mais de tempo avistamos o que parecia ser Cajazeiras.  São João do Rio do Peixe vimos logo adiante, e na frente dela estava um açude com o campo de pouso a se delinear um pouco antes.
Motor reduzido, iniciamos a descida lentamente em direção ao açude que havíamos tomado como ponto de referência.
500 pés de altitude curva à esquerda, e já coloco os pés nos pedais e a mão no manche.  Qualquer problema assumiria o comando.
Outra curva à esquerda.  A pista fica lindamente aproada e Élder inicia a final pra pouso.
O vento apesar de não estar tão forte, balança a pequena aeronave que teima em querer escorregar pra o lado.
O comandante aplica o pedal contrário, corrige a tendência, tira motor e o chão começa a se aproximar rapidamente.
Próximo do solo, um toque no acelerador e o motor ronca forte, diminuindo a velocidade de descida.  Uma arredondada e a aeronave toca a pista.  Bom pouso!
Não se faz necessário nem tocar nos freios.  Deixa-se a aeronave correr livre até o pátio onde estavam estacionadas outras 10.
Motor desligado, saímos.
Certeza que seria um domingo maravilhoso.



Para os que não sabiam, Exupéry era piloto e desapareceu em 31 de julho de 1944, durante uma missão militar que partiu da ilha da Córsega, no sul da França.  Ironicamente, o Piloto Alemão que o abateu era fã de seus livros.



terça-feira, 19 de abril de 2011

HOSPITAL

Depois que assumi uma das direções do Hospital, é uma notícia desalentadora por cima de outra.
Cumpade Aldemir vendo que a situação estava feia, me pegou pelo braço e levou pra Natal pra uma conversa com sua irmã Terezinha.
Finalmente um técnico me apontava possíveis soluções à curto e médio prazo.
No final da conversa ela me pegou pelo braço e disse:
- Trabalhar na saúde é gratificante, vc vai sentir uma satisfação pessoal muito grande pelo serviço que vai poder prestar.
 Eu muito prático já pensei:
- Satisfação pessoal eu vou ter é quando der pra fechar as contas no final do mês!
Pois bem.  Nesta semana internou-se um menino de uns 7 anos de idade.  Tinha ingerido uns 3 kg de acerola com semente e tudo.
Tava privado. Já vinha de uma outra unidade de saúde onde tentaram extrair o produto de forma atabalhoada causando mais dor e sofrimento na criança.
À noite em visita às enfermarias encontrei o jovem sozinho no quarto, largado na cama, gemendo de dor e a mãe ausente fumando um cigarro.
No outro dia fui no Dadá, comprei R$ 6,00 daqueles brinquedinhos chineses e trouxe pro interno.
Precisavam ver a alegria nos olhos.  Coincidência ou efeito dos medicamentos em 2 dias recuperou-se inteiramente, e hoje quando fui visitá-lo a cama estava vazia.
Recebeu alta à tardinha.
Pois é, descobri na prática, que a satisfação pessoal à que Terezinha se referiu existe mesmo.

MORRAM DE INVEJA

Recebi ontem uma surpresa.
Enviada por Benilton, chegou uma camisa do Rapaduras.
Como diz Hebe, linda de viver.
Essa só uso em ocasiões especiais.